Sábado, 19 Outubro 2019 13:26

O legado do Tito Fróes para nossos amigos da carreira de Gestor Governamental de MT

Escrito por 
Avalie este item
(1 Votar)

 

Tito Fróes Oliveira Jr foi um dos fundadores da AGGEMT e partiu no dia 12 de outubro, deixando muita saudade.

 

Denize Amorim*

 

Todos nós da primeira turma de Gestores Governamentais, carreira de servidores públicos do Governo do Estado de Mato Grosso, conhecemos o Tito no primeiro dia de aula do Curso de Formação, segunda fase do concurso, iniciado em agosto e terminado em outubro de 2001, éramos 38 pessoas matriculadas.  Com um sotaque carioca, falando sorrindo e uma presença marcante, Tito foi conquistando um a um com seu jeito mineiro de ser, nascido em Governador Valadares, mas que já morava em Brasília há muitos anos e era notável sua inteligência e seu preparo para exercer o cargo.

 

Tito tinha formação acadêmica em Ciências Contábeis e, por haver estudado durante alguns  anos Engenharia Mecânica (acho), na Universidade de Brasília (UnB), sem ter se formado, desenvolveu uma habilidade excelente com projetos. Falava inglês fluentemente e gostava de coisas como motos, corridas de carros, futebol americano, e torcia pelo Atlético mineiro, não fugindo às suas raízes.

 

Tomou posse em novembro de 2001 no cargo, como a maioria de nós da primeira turma, e logo se identificou com a Superintendência de Gestão da então Secretaria de Estado de Planejamento (SEPLAN).   Tal setor era gerenciado pelo saudoso, ex-Agente Tributário Estadual (ATÉ), Josafá, tinha outros assessores de cargos políticos.  Com a nossa posse, fomos os primeiros servidores públicos a completar essa superintendência para implantar o projeto do Novo Modelo de Gestão do Estado. Cada um desempenhou um papel na equipe, a maioria de nós GGs foi para o Programa de Modernização de Gestão dos Municípios – os projetos do PAM - seguindo esse modelo.

 

Tito ficou nesse setor em 2001 e 2002, e já com o ingresso da segunda turma de GGs, ajudou a liderar o Seminário “Repensando o Planejamento” que até hoje é lembrado por servidores mais antigos de todas as secretarias do Governo do Estado que trabalharam nesse setor de planejamento e viveram este momento ímpar de pensar a administração pública que queríamos, e foi marcante na nossa entrada no Estado.

 

Com a mudança de governo em 2003, Tito foi para implantar o PNAGE – Programa de Modernização de Gestão -, com recursos do governo federal para que o Governo do Estado de Mato Grosso pudesse profissionalizar a gestão, na antiga Secretaria de Estado de Administração (SAD), onde também atuou na adjunta de gestão de pessoas, sendo um servidor de importância para assessoria do gabinete do secretário, o qual valorizava seu conhecimento.

 

Quando o Tito passou em concurso do governo federal para a carreira dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental – EPPGG, em 2007, ele já havia casado com a Amanda, sua noiva vinda de Brasília, e estava radiante, pois ao mesmo tempo havia ganhado um concurso de fotografia, uma de suas paixões de sua inteligência criativa.  Estava feliz, tinha realizado o sonho de voltar a Brasília, perto da sua mãe e irmãs, na carreira federal, casado com sua Amanda, e podendo desenvolver mais habilidades sonhadas.

 

Todas as vezes que fui a Brasília a trabalho, eu dava um jeito de encontrar com o Tito, assim foi em 2012, quando fui e almocei na casa dele.  E 2013, almoçamos juntos com parte da primeira turma que, assim como o Tito, havia passado em outros concursos em Brasília, em outras carreiras como a Sara Gomes (na carreira do Banco Central), o Clóvis Zimmermann (na carreira do Ministério do Comércio Exterior), com Tito e sua esposa, a Amanda, e seu primeiro filho, o  João, junto conosco GGs de Mato Grosso: Gisele Gugel, Ágape Coura e eu.

 

Todo GG que viajava a Brasília fazia questão de se encontrar com Tito, de uma maneira ou de outra.  Ele era a ponte para sabermos sobre a gestão federal e ter notícias de outros ex-colegas que lá estavam como a Sara Gomes, o Clóvis Zimmermann, o André Nogueira (hoje no Tribunal de Contas da União) e o Esmeraldo (hoje Assessor do Congresso Nacional), pois o Tito cultivava o contato com todos os grupos.

 

O que me lembro do Tito com carinho é que uma vez ele me mostrou no seu computador um exercício que ele fazia de registrar todas as suas contas, receitas e despesas, e deixava tudo organizado para o caso de um dia vir a faltar, a Amanda não ficasse sem saber o que fazer, desamparada.  Sempre se preocupou com isso.

 

Outra coisa é que ele me disse que todas as noites ele fazia um diário das coisas boas que aconteceram e o que precisava registrar e aprimorar, e das coisas ruins também, para que avaliasse o motivo de elas terem ocorridas. Fazia isso sempre para que assim pudesse no dia seguinte ser uma pessoa melhor que o dia anterior.

 

Católico praticante, frequentava o Santuário Nossa Senhora Auxiliadora em Cuiabá, ele e sua esposa, que a gente conhecia pelo nome desde o primeiro dia de aula do curso de formação de GG, pois o Tito não parava de falar sobre ela.  Todo mundo conhecia a Amanda de nome. E mais tarde ele mostrou as fotos dela e vimos que o quanto ela era especial a ele e também muito bonita.  Deus o abençoou para que ele construísse uma linda família, com o João e mais uma menininha hoje com 2 anos, a Camila.  Era a família dos sonhos que ele idealizou, estava feliz.

 

Em 2013 quando fomos a Brasília, em outubro, no Primeiro Congresso Brasileiro de Gestores Públicos, promovido pela Associação Nacional dos EEPPG (ANESP), fomos apenas poucas pessoas da primeira turma, Gisele, Ágape e eu, e a maior parte dos GGs de Mato Grosso que foi havia tomado posse em 2013, umas 20 pessoas.  Na noite de abertura, quando eu saí para a confraternização após a palestra magna, todos da nova turma de GG de Mato Grosso estavam em volta do Tito conversando, como se fossem amigos de décadas, e ele havia acabado de conhecê-los.  Essa era a principal qualidade do Tito para mim: fazia questão de unir pessoas e comunicar com elas.

 

Em 2017, Tito veio a Cuiabá rapidamente e conseguimos reunir a maior parte das pessoas que tiveram o prazer de conhecê-lo para jantarmos na casa do casal de GGs, Edna e William Sampaio.  Foi uma noite prazerosa, onde nos encontramos na semana santa para comermos uma deliciosa peixada e revivermos fatos daquela época inicial da carreira e sabermos de coisas novas que também são boas.

 

Quem nos comunicou o falecimento do Tito, ocorrido no dia 12 de outubro, aos 54 anos, em Brasília, foi uma ex-gestora da primeira turma, Ediléia Petrini (hoje na Receita do Brasil), que mora em Cuiabá, que soube via a Sara, também ex-gestora da primeira turma, que atualmente mora na Austrália, que por sua vez soube via o André Nogueira, também ex-gestor da primeira turma que mora em Brasília.  Até na morte, Tito conseguiu que todos nós ainda nos comunicássemos que não perdêssemos esse elo de amizade, de fatos vividos juntos que é tão difícil ter e de manter.

 

Quando soube, avisei a todos os gestores e todos ficaram sentidos com esta morte repentina do Tito, enviando mensagens bonitas sobre ele.  A última mensagem do Tito Fróes no Instagram, em 3 de outubro, é uma imagem bonita de um caminho indo em direção ao sol com uma frase de uma passagem bíblica de Gálatas (5:25) : “Que o Espírito de Deus que nos deu a vida, controle também a nossa vida.”

 

Que sua memória seja homenageada no Estado, sugiro para a AGGEMT o descerramento de uma placa, já que ele foi um dos fundadores, pelos seus bons trabalhos, talvez na recém-inaugurada Escola de Governo, um sonho que ele tinha para o Estado de Mato Grosso; ou mesmo também sugiro o plantio de uma árvore pelos amigos de Cuiabá, em um local a escolher, que fique marcado que a amizade deve sempre ser valorizada e cultivada.

 

*Denize Amorim é Gestora Governamental em Mato Grosso

 

 

Ler 468 vezes Última modificação em Sábado, 19 Outubro 2019 13:40

Parceiros

Banner 1
Banner 2
Banner 3
Banner 4
Banner 5
   
: