Quarta, 01 Março 2017 00:00

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Edmar Augusto Vieira*

Tendências demográficas em Mato Grosso 

A população de Mato Groso poderá ser estabilizar abaixo de 4 milhões de habitantes, em meados da década de 40. 

Segundo dados do Censo Demográfico de 2010, Mato Grosso foi o quarto estado com maior taxa de crescimento na última década. Entre os dois últimos censos (2000 e 2010) a população estadual cresceu 1,94% ao ano, passando de 2,504 milhões para 3,033 milhões de habitantes. No mesmo período, a população total do País cresceu apenas 1,2% ao ano, de 169,8 milhões para 190,7 milhões de habitantes. A questão que importa discutir é: o Estado continuará mantendo um ritmo mais forte de crescimento demográfico, ou se aproximará do padrão brasileiro, com tendência à estabilização populacional nos próximos 20 a 30 anos? 

Do ponto de vista econômico e social, Mato Grosso tem evoluído em direção aos padrões médios do Brasil, apresentando uma paisagem mais próxima do Sudeste-Sul do que do Norte-Nordeste. Isso pode ser constatado em vários indicadores, como renda per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), taxa de natalidade e expectativa de vida. 

O crescimento mais intenso da população estadual tem-se apoiado tanto nas taxas mais elevadas de fecundidade (média de filhos por mulher) quanto nos movimentos migratórios. Ambas os fenômenos estão, porém, perdendo força. 

Entre 1980 e 1991 a população estadual cresceu impressionantes 5,4% ao ano. De 1991 a 2000 essa taxa diminuiu para 2,4% ao ano. Um observador que se desse ao trabalho de projetar a população de 2010 com base no ritmo de crescimento de 1980/1991, teria sugerido que, em 2010, seríamos 5,5 milhões de habitantes, ou 81% acima do que foi observado pelo Censo. E se crescêssemos como entre 1991 e 2000, o IBGE teria encontrado, em 2010, cerca de 3,2 milhões de pessoas.

 

A evolução das taxas de fecundidade mostra que Mato Grosso converge para o padrão nacional em termos demográficos. A proporção de mulheres de 15 anos ou mais com dois filhos ou menos (incluindo as que não têm filhos) aumentou de 45,9% para 62,7%, entre 2001 e 2009. Ou seja, há cada vez menos mulheres dispostas a ter mais de dois filhos. No Brasil, essa evolução foi de 64,8% para 66,9%, indicando um padrão que já foi consolidado há mais tempo. A média de filhos por mulher (segundo a Pnad de 2009) foi de 2,15, em Mato Grosso, e 2,0, no Brasil.

 

A mais recente projeção populacional para o Brasil, realizada pelo IBGE (revisão 2013), indica que a população brasileira está em processo de desaceleração e atingirá um máximo provável de 228 milhões de habitantes, por volta de 2042.

 

As projeções do IBGE disponibilizadas para as unidades federativas se limitam ao período 2000 a 2030. Mas, qual será a trajetória da população de Mato Grosso após 2030? Haverá um período de estabilidade e declínio? Evidentemente, a dinâmica populacional pode ser alterada pela interveniência de vários fatores, como fecundidade, crescimento econômico e fluxos migratórios. Entretanto, a curva populacional projetada pelo IBGE para 2000-2030 (e por nós extrapolada) parece incorporar uma perspectiva de estabilização da população estadual nas proximidades do triênio 2043-2045, quando alcançará cerca de 3,9 milhões de habitantes, ou cerca de 1,7% da população brasileira. A partir desse ponto a população de Mato Grosso poderá entrar processo de ligeiro declínio. Entre os anos 2030 e 2040, a população estadual deverá crescer apenas 0,4% ao ano, entrando em processo de estabilidade (crescimento médio anual nulo) na década de 2040.

 

 

 

Há muitas questões implicadas na trajetória demográfica de um território, dentre as quais o tamanho da economia, a oferta de mão-de-obra e a demanda por políticas públicas de previdência, saúde e educação, dentre outras. Vamos ilustrar isso com o caso da educação.

 

As mudanças demográficas representarão um bônus crescente para educação, pois a população em idade escolar deverá declinar, liberando algum espaço orçamentário para políticas com maior foco na qualidade do ensino (uma vez que as receitas da educação são indexadas nos impostos e transferências de impostos). Estudos que fizemos para o Plano Plurianual (PPA) sugerem que a disponibilidade de recursos por aluno-ano na rede estadual poderá aumentar em até 147%, até 2030, frente aos valores observados em 2010 (na hipótese de redução da demanda por EJA, regularização do fluxo escolar e crescimento real médio da receita em 3% ao ano).

 

 

Fonte: elaboração própria.



*Edmar Augusto Vieira é economista pela Universidade Federal de Viçosa-MG, Mestre em Economia pela UFMT e Gestor Governamental na SEPLAN-MT.

Ler 206 vezes Última modificação em Sexta, 19 Maio 2017 20:14
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